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Quitutes e quitandas

Ingredientes, receitas e curiosidades

Guta Chaves é jornalista, escritora e professora. É co-autora da Larousse da Cozinha Brasileira e Gastronomia no Brasil e no Mundo, da editora SENAC

Doces sonhos de padaria

O pão doce recheado com creme típico das padarias brasileiras é herança europeia. Confira a receita e dicas preciosas de preparo

31/07/2011 07:00

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Foto: Divulgação

Recheados com creme de confeiteiro ou doce de leite, os sonhos são ícones da padaria brasileira

Sou daquelas que adoram tomar café da manhã, não importa o horário em que eu acorde. E curto buscar padarias diferentes junto com minha filha, Luiza, de 6 anos. Novidade é comigo mesmo! Mas também valorizo (e muito!) os clássicos. Como o sonho de padaria.

Sonhos são ícones das tantas padarias espalhadas pelo Brasil. Eu, que moro em São Paulo, gosto muito dos da Benjamin Abrahão, da Bella Paulista, Dona Deola e da Ceci, que é pertinho de casa.

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Desde criança, toda vez que ia com minha mãe à padaria, eu me encantava com os pães doces recheados de farto creme de baunilha. Na época, só tinha a (enorme!) versão clássica, verdadeiro convite à gula. Volta e meia eu me fartava com eles – ou com a metade, pois geralmente não conseguia comer um inteiro. Depois, surgiram os mini sonhos. Apesar de fofos, para mim, perdem em sabor. Não são tão macios e têm menos recheio, acho que é isso.

Leia também: Padarias orgânicas

Mas o quitute é bem anterior à minha infância. Alguns afirmam ser originário de um doce chamado “bola de Berlim”, do século XVIII, cuja receita se espalhou pelo continente europeu e aportou no Brasil. Chegou também aos Estados Unidos, onde virou Donut. Será que nosso sonho é parente do bolinho americano?

Pode ser. A versão dos padeiros brasileiros é que o pão doce surgiu na capital paulista, na década de 1920, como uma forma de aproveitar as sobras da massa. Com ela, faziam bolinhos, fritavam e recheavam com creme feito de leite, manteiga, açúcar, gemas, farinha de trigo e essência de baunilha. Por cima, polvilhavam açúcar de confeiteiro. A solução, simples e tentadora, foi batizada de sonho e virou um dos maiores sucessos das padarias.

Veja o infográfico: Dossiê café da manhã

Quem me contou essa história foi Benjamin Abrahão, respeitado padeiro de São Paulo, já falecido. Para ele, o quitute tinha apelo especial. Foi vendendo sonhos e queijadinhas em feiras livres que conseguiu juntar dinheiro para abrir seu primeiro estabelecimento, a padaria Espanhola, na Barra Funda. Depois, inaugurou a Barcelona e a Benjamin Abrahão – hoje, comandada por seu neto, Felipe.

Nas primeiras décadas do século XX os doces de padaria eram simples, de feitura bem artesanal. Entre os anos de 1980 e 1990, foram incrementados com técnicas profissionais por confeiteiros estrangeiros. Surgiram carolinas, folhados, bombas de chocolate, tortinhas de morango e de limão, entre tantos outros.

Hoje, as boas casas têm uma gama impressionante de doces em suas vitrines. Mas o clássico sonho de padaria continua povoando memórias. Fofos, cremosos, fartos, perfumados e simples, muito simples.

Mas a simplicidade tem suas sutilezas. É o que ensina o padeiro Felipe Abrahão na receita de sonho herdada do avô. Preste atenção às dicas de um padeiro experiente e bons sonhos!

Veja aqui: RECEITA DO SONHO DA BENJAMIM ABRAHÃO

Foto: Divulgação Ampliar

O recheio do sonho tem que ficar só na borda para não sujar quem for comer

Dicas para sonhos gostosos:
• Depois de terminar a mistura do fermento, da massa e do recheio deve-se cobrir os sonhos com um plástico fino ou peneirar farinha por cima. Ou ele pode ficar ressecado e com gosto de velho.
• Não misture toda a farinha de uma vez só. Vá acrescentando aos poucos, enquanto a batedeira se encarrega de misturá-la.
• É fundamental também que não se coloque toda a água logo no início. Se a massa atingir o ponto, nem vai ser preciso usá-la na receita.
• Se a receita pede tempo para a massa crescer, não adianta adiantar os ponteiros do relógio. Quem perder a paciência, poderá ter um sonho com gosto de fermento ou aparência de velho.
• Se você optou em fritar o sonho tome cuidado para que o óleo não fique nem muito frio, nem muito quente. A gordura não pode ficar borbulhante, tem que apenas estar fervendo. O ponto errado pode encharcar o doce ou deixar seu interior cru.
• Na hora de rechear, tome o cuidado de colocar o creme de confeiteiro (ou outro de sua preferência, como goiabada ou Nutella) apenas nas bordas do sonho. Assim, você não corre o risco de ele transbordar na primeira mordida.

Continue lendo: Torta de morango igual à da padaria
E ainda: Torta de limão caseira

Sobre o articulista

Guta Chaves - gutachaves@gutachaves.com.br - Guta Chaves é jornalista e escritora na área de gastronomia. É co-autora dos livros Larousse da Cozinha Brasileira e Gastronomia no Brasil e no Mundo, da editora SENAC

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