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Guta Chaves é jornalista, escritora e professora. É co-autora da Larousse da Cozinha Brasileira e Gastronomia no Brasil e no Mundo, da editora SENAC

Mexidão é receita mineira mas você também pode inventar a sua

A receita cuja base é arroz cozido permite infinitas variações. É só abrir a geladeira, ver o que tem disponível e mandar brasa

22/08/2011 09:00

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Foto: Divulgação Ampliar

Mexidão é receita mineira típica, mas cada um pode inventar seu jeito de fazê-lo

Não ouse falar em “mexidão mineiro” para os nascidos nas Minas Gerais. “É redundante”, afirma Marcos Proença da Matta Machado, dono do boteco Patorroco, em Belo Horizonte. A receita tradicional leva ovo caipira, linguiça caseira, toucinho, pedacinhos de carne de boi, couve bem picadinha, alho, cebola, um punhado de grãos de feijão cozido. “Mais uma boa quantidade de arroz para dar ‘sustança’ e cheiro verde para decorar.” Ou seja, tudo o que uma boa mineira tem em casa.

Veja aqui: receita do mexidão da Pousada Mirante do Café, em Ouro Preto, MG (foto)

Talvez por isso mexidão tenha virado sinônimo de “soborô” -- aquela receita que diz: “abra a geladeira e misture tudo o que vir pela frente”. De fato, cada Estado tem sua receita, toda família o prepara de um jeito diferente. Tendo arroz cozido como base, o resto é "ao gosto do freguês".

Marcos me contou que, na década de 1980, o prato era tão famoso nos bares tinha até rodízio de mexido (!). Cada dia da semana um bar preparava sua versão do prato para disputar o título de melhor receita da cidade.

O prato é servido em botecos e restaurantes populares do Estado inclusive durante a madrugada, já que funciona bem como energético. Nos jogos do Mineirão, ao invés do clássico cachorro-quente, eles comem mexidão, unanimidade nos boxes espalhados pelo estádio. E, na hora do gol, dá-lhe feijão esparramado para todo lado. Mas ninguém liga.

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Eduardo Maya, curador do evento Comida di Buteco, que todo ano premia as melhores receitas de estabelecimentos populares do País, tem uma relação especial com o prato. Quando se mudou do Rio de Janeiro para a capital mineira, lembra que foi recebido pelos amigos com mexidão. Gostou tanto que nunca mais voltou para a cidade natal -- e lá se vão 26 anos.

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Em suas pesquisas pela América Latina, Eduardo descobriu o prato em vários lugares, como na Colômbia. Ele conta que em Bogotá há algo muito semelhante, que servem até no café da manhã de hotéis estrelados, chamado calentado. “Tem arroz e feijão, parece demais com o nosso”, diz.

No Patorroco, segunda-feira é dia de mexidão. “Busco valorizar os pratos da culinária mineira”, diz. “A receita me lembra a infância, então tem cheiro de mãe, é tão tradicional em Minas quanto festa de Santo Padroeiro.” Na verdade, ali e no resto do Estado, todo dia é dia de mexidão.

Veja aqui: receita do mexido do Patorroco

Sobre o articulista

Guta Chaves - gutachaves@gutachaves.com.br - Guta Chaves é jornalista e escritora na área de gastronomia. É co-autora dos livros Larousse da Cozinha Brasileira e Gastronomia no Brasil e no Mundo, da editora SENAC

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