Publicidade
Publicidade - Super banner
Comidas
enhanced by Google
 

Hoje é dia de piquenique

Aproveite o sol para estender a toalha xadrez na grama e saborear, ao ar livre, um cardápio especial de comidinhas

Marcela Besson, IG São Paulo |

Flavio Moraes/Foto Arena
Para um piquenique a dois ou com os amigos: cardápio inclui saladinhas e sanduíches
A receita é mais ou menos essa: em um dia de sol e de pouco vento, vá a um parque, praça ou campo e escolha uma árvore frondosa, que forneça boa sombra. Sobre a grama, estenda uma toalha grande, num terreno preferencialmente plano. À mão, traga uma cesta com seus quitutes e bebidas preferidas. O fundamental é que essas sejam comidinhas apetitosas, que possam ser saboreadas frias e aos poucos, petiscando uma aqui, outra ali. Nesse caso, bom mesmo é usar as mãos e dispensar talheres e pratos. Distribua tudo sobre a toalha e acomode-se em um cantinho, sem pudor de sentar no chão. Vá sem pressa, sem hora certa para voltar para casa.

No piquenique, não há anfitriões, nem convidados. Não há clientes, nem garçons. A ideia é experimentar uma refeição descompromissada, primeiro não fazer nada e depois descansar (primo far niente, doppo riposare, como dizem os italianos). Tem gente que prefere desfrutar do momento em silêncio, num estado de contemplação. Se estiver sozinho, livros e música são sempre ótimas companhias. Há quem diga, porém, que quanto maior o grupo, melhor o piquenique – tanto para satisfazer o espírito de convívio, quanto para conversar, contar piadas, fazer fofoca, jogar bola e baralho...

Amante que é da boa vida, o iG Comida lançou-se ao desafio de incentivar a comilança ao ar livre. E nem pense em levar apenas um lanchinho básico, desses que se come todos os dias só para matar a fome. A ideia do piquenique é outra, de confraternização e, sobretudo, de prazer.

Para encher a cesta de ideias (e de bons petiscos), convidamos a chef Adriana Cymes, do Buffet Arroz de Festa, em São Paulo. Ela criou um cardápio especial (listado ao lado), com receitas práticas, fáceis de embalar e de carregar. Da saladinha aos sanduíches, tudo pode ser comido frio. "Vale a pena caprichar na escolha de um embutido ou de um queijo diferente para rechear os lanchinhos", diz Adriana. Ela dá outras dicas:

- para o mix de folhas, leve o molho vinagrete de figo à parte e tempere na hora, para que as folhas não murchem;

- a sopa caprese é quase como um gazpacho e deve ser consumida bem geladinha. Pode ser acondicionada em garrafa térmica e servida em copinhos individuais. O mesmo vale para o suco e o clericot;

- é recomendável embalar os sanduíches individualmente, em papel celofane, para que não se abram e percam o recheio. Faça o mesmo com os bolinhos de maçã.

Dicas de vinho
Com base no cardápio acima, o sommelier Eduardo Lopes, do restaurante Capim Santo, em São Paulo, sugere alguns rótulos para compor a cesta. Antes disso, faz uma ressalva: "Independente do que se escolha para comer, aconselho inaugurar qualquer piquenique abrindo uma garrafa de espumante". Para Lopes, esse é o tipo perfeito de bebida. "É fresco, leve e divertido, como deve ser o programa."

Para o menu elaborado pela chef Adriana Cymes, ele indica um espumante rosé ou um prosecco para harmonizar com o mix de folhas, o cuscuz e a sopinha caprese. No caso dos sanduíches, recheados de carne e molhos levemente ácidos (por causa do balsâmico e do wasabi), a sugestão é optar por tintos de médio corpo, frescos, com taninos presentes e de boa estrutura. Invista também em um vinho de sobremesa porque a ocasião merece.

"Não se intimide em levar um pequeno isopor com gelo para resfriar as garrafas", diz o sommelier. Além disso, é bom incluir na cesta taças apropriadas para o espumante e outras do modelo ISO, que serve tanto para os tintos quanto para os de sobremesa. Confira os rótulos citados:

- mix de folhas, o cuscuz e a sopa caprese:
Loridos Rosé 2006, de Portugal, feito de uvas castelão e merlot (preço médio: R$ 65,00)
Prosecco Sergio Mionetto Rosé*, da Itália, feito de uvas raboso e lagrein (preço médio: R$ 50,00)

- sanduíches:
Tinto da Ânfora 2006, de Portugal, feito de várias castas, entre elas aragonez e touriga nacional (preço médio: R$ 60,00)
Ecos de Rulo Cabernet Sauvignon 2008, do Chile (preço médio: R$ 70,00)
La Vieille Ferme Rouge 2008, da França, feito de várias castas, entre elas syrah (preço médio: R$ 80,00)

- sobremesa:
Château Petit Vedrines 2004 Sauternes, da França (preço médio: R$ 70,00, meia garrafa)
Vinho do Porto Taylor's Ruby (preço médio: R$ 70,00)

Divulgação
Tela do pintor francês Claude Monet
Histórias e costumes
Fazer piqueniques não é bem uma tradição brasileira. Somos um povo festivo e gostamos de nos reunir. Mas os ambientes escolhidos para isso geralmente variam entre a cozinha e a sala de jantar ou ao redor de uma churrasqueira ou um fogão a lenha.  

Os europeus são experts na arte de promover piqueniques. Isso porque, historicamente, já o praticam há bastante tempo. Na Europa da Idade Média, a nobreza feudal acabava montando banquetes a céu aberto depois de suas caçadas pela floresta. Na Inglaterra da Era Vitoriana, o gosto da rainha por essa atividade só fez aumentar o número de toalhas espalhadas pelas áreas verdes. Nessa época, vivia-se o boom da Revolução Industrial, de forma que o tempo livre no campo era quase como um ponto de fuga.

“Após a Revolução Francesa, quando os parques e florestas que cercavam os castelos reais foram abertos ao público, os piqueniques se tornaram uma atividade de lazer bastante popular”, revela o escritor Ricardo Corrêa Coelho em seu livro Os Franceses (Ed. Contexto, 2008). Por lá, a prática é tão comum até hoje que os franceses criaram até o termo piqueniquer, uma derivação do verbo piquer (pegar) e do substantivo nique (coisa sem importância) – daí a inspiração para a proposta da refeição informal.

A tela acima, Le Déjeuner sur l’herbe (ou Almoço sobre a Relva), é do pintor impressionista francês Claude Monet. Foi feita por ele entre 1865 e 1866. Eram outros tempos, outras roupas, outros costumes. Mas lá estão os pães, as frutas e o vinho. Uma inspiração do passado para uma bela tarde no parque. E não nos faltam por aqui árvores e sombra fresca para isso.

 

 

 

*Prosecco Sergio Mionetto Rosé: o sommelier Eduardo Lopes explica que os vinhos prosecco são, por regra, feitos a partir de uvas prosecco. No caso do rótulo citado, o produtor Sergio Mionetto usou uma brecha na legislação local e intitulou o seu espumante com o referido termo, mesmo não sendo este feito de uvas prosecco. "A indicação prosecco do rótulo não corresponde a um prosecco original. É apenas um nome para um vinho espumante feito a partir de uvas raboso e lagrein", afirma Lopes.

Serviço:
Buffet Arroz de Festa. Rua Fradique Coutinho, 112, Pinheiros, São Paulo (11) 3896-6029 

 

 

Leia tudo sobre: piquenique

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG