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Oswaldo Aranha: um filé clássico

A história, a receita e três endereços para saborear um dos pratos mais populares do Rio de Janeiro

Rodrigo de Almeida, iG Rio de Janeiro |

Selmy Yassuda
Filé à Oswaldo Aranha: o diplomata pedia que uma generosa camada de alho fosse derramada sobre a carne. A receita virou tradição carioca
Está registrado na história da tradicional gastronomia carioca. No fim dos anos 30, o Rio ainda era a capital federal, e deputados e senadores lotavam as mesas do Cosmopolita, frequência política que garantia ao lugar o sugestivo apelido de Senadinho. Um dos clientes mais ilustres do restaurante na Lapa, centro do Rio, era o ex-ministro e diplomata Oswaldo Aranha, que tinha uma mania insistente: pedia para pôr alho frito sobre o filé, servido com arroz, batata portuguesa e farofa. De tanto repetir o pedido, o prato ficou popular, ganhou o nome do cliente e transformou-se em marca registrada da casa. E da cozinha carioca.

Em mais de setenta anos de história, o filé à Oswaldo Aranha ganhou vida para além do paladar carioca e, entre geração e geração, viu renovada sua carteira de admiradores – Martinho da Vila é um dos fãs do prato, a atriz Flávia Alessandra não esconde a preferência, o designer Hans Donner também, e com eles concorda uma multidão de admiradores anônimos.

Mas o prato que se come hoje na maioria dos restaurantes tem uma diferença em relação ao paladar do diplomata Oswaldo Aranha. Originalmente, os acompanhamentos vinham misturados. Ao suco da carne, aquele que restava na panela em que o filé era cozido ao ponto, bem temperado, eram incorporados o arroz, as batatas, a farofa. Hoje, em geral, as porções vêm separadas. Segundo Paulo Enrique Farina, um dos sócios do Filé de Ouro, a adaptação foi feita para "melhorar a apresentação do prato".

O Filé de Ouro serve hoje um dos mais bem conceituados filés à Oswaldo Aranha do Rio de Janeiro. Nas visitas feitas pela reportagem do iG, a superioridade foi confirmada. Preparado com filé (mais macio) ou contrafilé (mais saboroso), é o prato mais pedido do lugar, onde as filas são constantes na porta. No fim de semana, a espera pode durar entre 40 minutos e uma hora e meia. Paga-se 48 reais pelo prato individual, valor que cresce conforme a quantidade de pessoas a servir (de 83 reais para duas pessoas até 223 reais para seis). A carne é bem temperada e a camada de alho frito, bem sequinho, é farta.

Com esses atributos, supera o filé do Cosmopolita, que se resume agora a uma espécie de relíquia histórica. Embora mais barato (37,50 reais o individual e 49 reais para duas pessoas), não é tão saboroso e a quantidade de alho frito é modesta. O ambiente merecia estar mais bem conservado, sobretudo para receber o público -  o Cosmopolita ainda é muito procurado por quem deseja conhecer o berço de uma das receitas mais tradicionais da cozinha carioca. Faz parte do cenário da Lapa desde 1926, quando foi fundada por espanhóis. “Antigamente ainda saíam outros pratos, hoje é só filé, filé, filé”, conta um dos sócios, Jorge Querino Santino. “A maioria chega e nem pede o cardápio”, completa.

Outras opções

Os admiradores do Oswaldo Aranha podem recorrer a outro clássico do Rio, o Café Lamas. Em 135 anos de existência, o restaurante também teve clientela ilustre (o escritor Machado de Assis e o presidente Getulio Vargas incluídos). Hoje é ponto de fuga para quem procura um saboroso filé – à Oswaldo Aranha ou à francesa (que é acompanhado de batata palha, ervilha, cebola e presunto), pratos servidos há cerca de sessenta anos no restaurante, segundo Milton Brito, um dos sócios.

Ambos têm o mesmo preço (56 reais, para o apetite de duas pessoas) e são igualmente procurados. Ao que interessa aqui: simples e bem servido, o Oswaldo Aranha do Lamas tenta um meio termo entre o prato original e as versões contemporâneas. A carne vem à parte, mas os acompanhamentos são misturados. Para os mais exigentes, o restaurante perde pontos por causa da lentidão do atendimento.

Serviço

Filé de Ouro
Rua Jardim Botânico, 731, Jardim Botânico. Aberto do meio-dia às 22h (de segunda a sábado)

Cosmopolita
Travessa do Mosqueira, 4, Lapa. Das 11h à meia-noite (segunda a quinta) e das 11h às 4h (sexta e sábado)

Café Lamas
Rua Marquês de Abrantes, 18, Flamengo. Das 7h40 às 3h30 (domingo a quinta) e das 7h40 às 4h30 (segunda a domingo)

 

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