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Extremadura

Região é conhecida por produzir um dos melhores presuntos crus do mundo, o jamón ibérico de Bellota

Guta Chaves e Dolores Freixa, especial para o iG São Paulo

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A Extremadura tem seu passado histórico partilhado com Portugal, por isso os extremenhos têm muito respeito e carinho com esse país, especialmente com a vizinha região do Alentejo. Sua capital é Mérida, destacando-se também as províncias de Cáceres e Badajoz.

A rica cozinha da região é feita com excelentes hortaliças, verduras e frutas como cereja, figo, maçã e melão. A região ainda possui boa oferta de cogumelos, aspargos, azeitonas e trigo. Entre as carnes, as de cordeiro e as de caça, como perdizes, lebres e javalis, têm a preferência. Mas o produto mais simbólico da região, reconhecido internacionalmente, é o porco ibérico, do qual se elabora um dos melhores presuntos crus do mundo, o jamón ibérico de Bellota.

Um queijo muito característico é a torta del Casar, feito a partir do leite da ovelha. Também é destacável o mel da terra, que apresenta diferentes variedades: tomilho, eucalipto, alecrim e lavanda.

Ingredientes típicos da Extremadura
Pratos típicos da Extremadura
 

<span>Frutas, verduras e hortaliças trazem frescor à culinária da Extremadura, que faz limite com Portugal</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong> <span>Os azeites Monterrubio são frutados, possuem aromas amendoados e sabor ligeiramente picante</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong> <span>As cerejas do Vale do Jerte são famosas pela doçura e qualidade</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong> <span>Aqui, os gansos que dão origem ao foie gras são criados em liberdade e não recebem alimentação forçada</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong> <span>O tempo de cura do jamón ibérico de Bellota pode chegar a trinta meses</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong> <span>O pimentão, depois de triturado, serve de condimento para receitas regionais</span> - <strong>Foto: Getty Images</strong>














Ingredientes típicos da Extremadura
Aceites Monterrubio: azeite de oliva extra-virgem com Denominação de Origem (DO), a maioria feito a partir das variedades cornezuelo e jabata (picual). Apresentam cor amarelo esverdeado, são frutados, com aromas amendoados e sabor ligeiramente picante.

Cerejas do Vale do Jerte: milhares de cerejeiras em flor são produzidas no belo vale do rio Jerte, cujas flores da árvore fazem o local parecer coberto de neve. São cerejas famosas pela sua qualidade e doçura.

Foie gras entero de ganso ibérico Patería de Sousa: conforme a lei européia de bem-estar animal, esse foie gras de ganso, feito a partir da raça ibérica, não usa alimentação forçada para a engorda, como é o caso da maioria. Os gansos são criados em liberdade e, naturalmente, comem mais no outono-inverno. A dieta é composta de figos, leguminosas, bolotas, azeitonas e ainda enriquecida com cereais. O resultado da produção inovadora dessa iguaria é um fígado muito maior e menos amargo. O foie gras é condimentado com sal e pimenta, cozido em banho-maria com vinho doce e envazado sem prensar e sem aditivos. O produto de La Patería de Sousa, em Fuente de Cantos, já ganhou prêmios, como o Coup de Coeur 2006 pela inovação e prestígio, no Salón Internacional de la Alimentación de París (SIAL), na França.

Jamón ibérico: é chamado jamón ibérico de Bellota (ou bolota, em português). Trata-se de uma Denominação de Origem (D.O.) que engloba a província de Huelva, na Andaluzia, a região de Extremadura e a província de Salamanca, na região de Castela e Leão. Tem, na Extremadura, a porção mais destacável, pois é onde se encontra 80% da produção. Esse presunto tão especial é produzido a partir da raça porco ibérico, criado livre no pasto, comendo bolotas, frutos de casca dura parecidos com castanhas, que caem das árvores azinheiros (a mesma da qual se extrai a cortiça). São elas que dão o sabor especial dessa verdadeira iguaria. Seu processo de cura pode levar de 28 a trinta meses após o abate. Nesse tempo, desenvolve sabor, textura e aroma. O presunto cru, que apresenta gordura entremeada e aroma delicado, é feito do seu pernil traseiro, salgado e curado de forma natural. 

Jamón Montánchez: esse presunto cru (jamón) é curado naturalmente na Serra de Montánchez, a mais de 900 metros de altitude. É beneficiado pelo microclima frio e seco da montanha, que confere extrema qualidade aos presuntos e embutidos.

Licor de Bellota: a mais típica bebida de Extremadura é o licor feito de bellota (bolota), que vem da árvore do azinheiro. É também chamado de beso extremeño ("beijo extremenho").

Pimentón de la Vera: pimentão seco e triturado, que pode ser doce ou picante, muito usado na cozinha espanhola como condimento. Tem séculos de tradição, que se iniciou com os monges do Monastério da ordem de São Jerônimo, no Vale de La Vera, em Extremadura. Os pimentões passam por um processo de secagem natural em galpões sobre estrados, em que ficam por cercade quinze dias sobre uma fonte de calor formada por lenhas de carvalho. Logo após, são moídos e embalados.

Torta del casar: é um queijo feito de leite de ovelha muito especial, que possui o interior cremoso, semelhante ao queijo português da Serra da Estrela.


Pratos típicos da Extremadura
Bollas de chicharrones: biscoitos feitos no forno, preparados com pão caseiro, ovos, torresmo bem picado, gordura de porco, açúcar e laranja.

Caldereta extremenha: ensopado feito de cabrito frito, refogado em tacho com azeite de oliva, alho, colorau e folhas de louro. Em seguida, adiciona-se vinho, fígado do cabrito, pimentón de la Vera, pimenta-do-reino, salsinha, louro e farinha.

El frite: é um prato de cordeiro frito no azeite de oliva, com alho, cebola e páprica, que dá uma cor avermelhada à receita.

Las migas de pastor: no interior de Extremadura, as migas foram durante muito tempo o prato diário. Primeiro, o pão adormecido é embebido em água e, sem seguida, frito no azeite de oliva com pedaços de bacon, entremeados de alho e pimentão. Come-se com colher, acompanhado de vinho tinto. 


Referências bibliográficas

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CHAVES, Guta (Org.). Larousse do Vinho. São Paulo: Editora Larousse, 2007.
CANHOTO, Susana. FAUSTINO, Ana. TRUTTER, Marion. Culinária Espanha: especialidades espanholas - San Mauro: Konemann, 2001.
DOMINGO, Xavier. HUSSENOT, Pierre. The taste of Spain - Paris: Flammarion, 1992. Espanha: Guia Visual Folha de S. Paulo. São Paulo: Publifolha, 2007.
FECAROTTA, Luiza. Pérolas aos porcos. São Paulo: Jornal Folha de São Paulo, Caderno Ilustrada, 22 de abril de 2010.
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Guía de Gastronomía Euskadi – Pais Vasco. Euskadi: Servicio Central de Publicaciones Del Gobierno Vasco, www.paisvascoturismo.net
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La Gastronomia Española. Turespanã. Secretaria General de Turismo y Ministerio de Industria, Turismo y Comercio. http://www.spain.info/
PRADO, Marianinha. 100 receitas espanholas. 2.ed - São Paulo: Marco Zero, 1994.
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SANTAMARIA, Santi. A cozinha a nu. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2009.
SPILOTROS, Daniela. A peso de ouro. São Paulo: Editora 4 Capas, Revista Prazeres da Mesa, 2004, p. 26-29
WALDMAN, Marta. A cozinha espanhola - São Paulo: Melhoramentos, 2002.

Sites consultados
http://www.canfabes.com
http://www.doitinspain.com/Espanol/gastronomia.php
http://www.elbulli.com
http://www.historiacocina.com/gastronomia/espana.htm
http://pateriasousa.com/sousaweb.swf
http://www.tourspain.es

Documentários em VHS
Espanha: o Levante. Coleção Viagem pelos Sabores da Europa. São Paulo: arquivo da biblioteca do SENAC Francisco Matarazzo.
Espanha: A Catalunha. São Paulo: arquivo da biblioteca do SENAC Francisco Matarazzo.
Espanha: Andaluzia. São Paulo: arquivo da biblioteca do Senac Francisco Matarazzo.

Pesquisa de fotos: Priscila Zuini, Junior Milério e Getty Images

 

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